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A hipocrisia “ecológica” a serviço do poder em Itabaiana

Opinião | 01.08.2020 às 10:06h

Todos devem lembrar de uma das máximas mais conhecidas e ventiladas na esfera política desde a sua formação: os fins justificam os meios.

Esta frase não está presente ali, mas resume muito bem o pensamento exposto no livro "O Príncipe", do italiano Nicolau Maquiavel, que tem sido considerado de cabeceira de muitos homens públicos ao longo dos séculos, mesmo que alguns por palavras não admitam.

O cerne do livro e dos "ensinamentos" ali descritos versam sobre a tomada completa e irrestrita do poder, assim como a sua repressiva manutenção.
Para alcançar esses dois objetivos, os meios que serão utilizados não devem ser levados em conta, em nenhuma hipótese e em momento algum, já que os fins, o que importa somente, são o "bem" maior almejado.

E há ainda quem se engane e pense que isso já é passado ou que não é matéria do pensamento e das ações de políticos - ou até aspirantes a tanto - do nosso cotidiano.

A diferença é que os homens de poder que dominavam na época, a quem os escritos de Maquiavel foram destinados, não viam problema em esconder seus reais objetivos e seus pérfidos pensamentos de obtenção egoísta do poder.

Como a mentira se aperfeiçoa e encontra morada nas páginas da história do poder, na atualidade alguns homens públicos conseguem envolver em trevas os seus verdadeiros objetivos e suas verdadeiras aspirações.

E, para Maquiavel, a ideia mesma de ocultar seus pensamentos, mesmo que isso seja destituído de qualquer princípio moral ou ético, para a sociedade, é propriamente um dos meios para a obtenção cúpida do poder.

Um desses casos, em que a hipocrisia acentuada e axiomática é evidente, foi a ação que visava combater e atrasar as obras de reforma dos canteiros públicos de uma das principais avenidas da cidade de Itabaiana.

O movimento contra a "derrubada" de árvores foi encabeçado e dirigido por um pré-candidato a prefeito de Itabaiana. A Prefeitura, na ocasião dessas obras, informou à sociedade os projetos para uma revitalização desses canteiros que teriam as árvores antigas retiradas, por serem espécies que não deveriam ser utilizadas no ambiente urbano, e novas árvores mais adequadas e nativas da região seriam plantadas.

Bastaram as obras iniciarem para que o movimento, que não contava com mais de 15 pessoas, voasse para a avenida onde as equipes trabalhavam. Todos munidos de celular e muita vontade de fazer barulho.

Cada participante escolheu e agarrou-se a uma das árvores no canteiro em que as obras não estavam em ação e gritavam a quem, por desprazer de horário e lugar, passasse.

O pré-candidato a prefeito, como que um general à frente de seu exército antes de um grande confronto, caminhava por entre seus apoiadores e os insuflava de ânimo e forças para a árdua batalha que estariam prestes a travar em defesa da vida e do meio ambiente.

O mais estranho foi que após alguns vídeos e fotos terem sido feitos para mostrar a abnegada luta, o Exército do Capitão Planeta ganhou os rumos de casa. Cada um em seu carro, não desses comuns que liberam altas doses de gás carbônico no ar, mas carros caros, desses de quem cuida da natureza.
A hipocrisia, que talvez a muitas mentes possa estar escondida ou até mesmo pouco clara, ficará latente logo após eu revelar que o Capitão Planeta é o proprietário e o idealizador de alguns loteamentos e condomínios que, para terem o êxito na construção, precisaram passar por cima de diversas árvores e acabaram com a moradia de diversas espécies.

Penso que agora fique mais fácil para essas mentes anuviadas pela "defesa" do meio ambiente atinarem com os reais objetivos do movimento. Acredito ainda que mesmo com esses altos muros de hipocrisia revelados, muitos dirão que uma coisa não tem ligação com a outra.

É normal que digam isso, pois a vontade que os une não é outra senão o objetivo final, o sucesso na obtenção do poder, mesmo que seja preciso enganar a toda uma cidade. Mesmo que a mentira seja convidada para as rodas do direcionamento. Se precisar mentir, a gente mente. O que importa é o poder.

Da Redação: Por Mateus Melo - Escritor, redator, professor e aluno da Universidade Federal de Sergipe, campus Itabaiana
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