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Valmir de Francisquinho admite: “Estou pensando em deixar a política”

Após Concluir o Mandato | 28.03.2019 às 10:04h

O prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho, 50 anos, do PR, vereador por cinco mandatos consecutivos até que chegasse ao Executivo em 2012 e se reelegesse em 2016, é hoje um político tão impactado pelo afastamento da Prefeitura, com uma prisão de 16 dias (7 a 22 de novembro do ano passado), que admite a intenção de abandonar a vida pública ao término do seu mandato em 31 de dezembro de 2020.

"Hoje eu estou pensando, numa proporção de 90%, em deixar a política. Não quero mais. Se meu filho me atender em meu pedido, ele vai sair também", diz Valmir, estendendo o desânimo ao deputado estadual Talysson de Valmir, 27 anos, o parlamentar mais votado de Sergipe do ano passado em Sergipe.

"Eu sei que a política é uma cachaça, como se diz por aí, mas eu também sei que tem gente que deixa de beber e deixa de fumar. Muitos deixam. E eu estou me candidatando a ir para casa - eu sou novo ainda e tenho que construir a minha vida. Depois de uma dessa...", reforça ele.

O "depois de uma dessa" são todos os aperreios pelos quais passou. Acusado de má-gestão do Matadouro Municipal de Itabaiana, Valmir foi detido no dia 7 de novembro, liberado no dia 22 do mesmo mês e no dia 12 de março, por uma decisão da justiça, retomou o mandato, que ficara em mãos da vice-prefeita Carminha Mendonça, que hoje não compartilhariam um cafezinho de botequim. Valmir vai continuar administrando o processo que corre contra ele na justiça.

Para Valmir de Francisquinho, tudo o que lhe ocorreu no campo policial e jurídico foi desproporcional ao que ele teria feito por Itabaiana e ao seu nível privado de vida. "Trabalhei tanto, construí uma nova Itabaiana, uma nova cidade - meus atos e ações demonstram isso, não são só estas minhas palavras. Estou falando do que está à vista, do que está feito, executado e pronto. Não tem cabimento em passar por uma situação dessa", diz ele.

"Sem nenhum sentimento de mágoa, peço que Deus tome conta da política que eu vou tomar conta da minha vida. Vou viver a minha vidinha com a minha família. Não preciso disso para viver. Basta que Deus me dê o suficiente para comer e onde dormir. Eu vou passar, eu vou morrer - tudo isso aí passa. Daqui a 20 anos, 30 anos ou 40 anos não tem mais ninguém aqui da gente. Tudo é ilusão na vida da gente. Creio que na esfera pública já fiz a minha parte. Estou com essa posição e Deus vai me ajudar a manter esse pensamento de cair fora", diz o prefeito.

Valmir de Francisquinho é um homem assombrado com tudo o que lhe ocorreu no ano passado. "Admito que estou com medo de tudo o que passei - logo eu que sempre fui um cara equilibrado, que nunca briguei com ninguém. Nunca bati e nunca apanhei de ninguém. Nunca fui agressivo na minha vida - e passar por tudo isso. E estão fabricando coisas contra mim. Falsificaram sistemas para querer me incriminar", diz ele.

"Tudo isso é muito triste: eu trabalhei demais. Peguei Itabaiana foi muito endividada, com R$ 33 milhões de débitos e com quatro meses de salários atrasados. Botei em dia no primeiro mês e quando me afastaram tinha mais de R$ 30 milhões em caixa. Fui sempre um prefeito de responsabilidade. Materialmente, não tenho nada. Trabalho pela reabilitação do município e me questionam: "e a sua vida, Valmir, como é que fica"? A única coisa que eu tenho é minha autoescolazinha para sobreviver e comer com a família. Tenho 21 anos trabalhando com ela e não tenho riqueza, porque na política você constrói a vida dos outros e a sua você esquece", diz o prefeito.

Ninguém pode desconsiderar que Valmir de Francisquinho, ou qualquer um no lugar dele, como ocorre com Valmir Monteiro, de Lagarto, exibe essas expectativas de futuro ainda sob o forte impacto de tudo o que lhe ocorreu e está em curso. Mas Valmir é um animal político, e que ninguém subestime ou rebaixe a importância dos 10% que ele deixa como margem de sobra para a sua permanência ou não na política. Com margens bem mais magras, outros já se repuseram de volta em seus projetos.

Da Redação: Jozailto Lima - JLPolitica.com.br
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