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Ex-delegado da Polícia Civil de Sergipe irá a júri popular por crimes contra adolescentes de Itabaiana

JULGAMENTO | 14.10.2011 às 00:48h

Por Cássia Santana do Portal Infonet

O ex-delegado de Polícia, Antonio Ferreira de Matos Filho, conhecido como Toinho Toyota, vai a júri popular no próximo dia 27, acusado como autor do sequestro, seguido de assassinato e ocultação de cadáver de três adolescentes: Carlos Magno Menezes Fernandes, 16, João Cléverton Matias dos Santos, 16, e José Valdemir dos Anjos Júnior, 13.

Os crimes aconteceram entre a noite de 29 e a madrugada do dia 30 de maio de 2001, na cidade de Itabaiana, distante 57 km da capital, Aracaju, com envolvimento de outros policiais: Hamilton Correia Santos e Roberto Carlos Costa dos Santos, além de Wilton Nogueira, conhecido na cidade como Boy. O início do julgamento está previsto para às 8h do dia 27, sem horário previsto para encerramento.

Os réus foram denunciados pelo Ministério Público Estadual no dia 26 de julho de 2001. Toinho Toyota chegou a ser preso, mas foi colocado em liberdade no dia 22 de novembro do mesmo ano. O ex-delegado e os demais réus foram enquadrados nos artigos 121 parágrafo segundo, incisos II, IV e V, 211, e no 148 parágrafo segundo combinado com os artigos 29 e 69, com previsão de pena que varia entre 12 a 30 anos de reclusão. 

O Ministério Público entende que houve ‘conluio' para assassinar os adolescentes. De acordo com a denúncia, os três adolescentes estavam na rua Tobias Barreto, nas proximidades da Igreja Matriz Santo Antonio, na cidade de Itabaiana. Eles estariam conversando quando o delegado chegou, armado. A denúncia indica que o delegado e os policiais colocaram Carlos Magno e João Cléverton no porta-malas do veículo da Secretaria de Estado da Segurança Pública, um Fiat Uno, e teriam levado para um terreno baldio, localizado atrás da sede da Delegacia Regional naquela cidade.

Eles teriam entrado no terreno com o veículo em marcha ré. E de lá, Toinho Toyota teria acionado outros poliiciais: Jorge de Almeida, o Borjão, Paulo Nery Damascena e Roberto Carlos Costa dos Santos, que estariam realizando ronda na cidade com um outro veículo, que seria um Santana de cor azul.

Eles informaram em depoimento, que, quando chegaram no local, indicado pelo então delegado encontraram o cenário pronto: "os adolescentes algemados, com as mãos para trás, sentados na relva". 

Diz um trecho da denúncia do MPE: "Toinho Toyota, o primeiro acionado, inebriado pelo torpor, enraivecido e enfurecido com a febre e o delírio dos insanos, utilizando-se do revólver que portava, e apontando em direção dos adolescentes, efetivara vários disparos". Segundo a denúncia, no momento, apenas Carlos Magno ficara agonizando. Os policiais disseram que teriam se retirado do cenário do crime, mas Toinho Toyota teria dado ordens para que eles retornassem com o intuito de "dar fim aos cadáveres e apagar os vestígios do hediondo crime"

Segundo a denúncia, os corpos foram colocados em uma viatura da SSP e eles teriam seguido pela avenida João Paulo II, com o objetivo de atravessar a divisa do Estado de Sergipe com a Bahia. E assim seguiram viagem passando por Campo do Brito, Lagarto, Riachão do Dantas, Tobias Barreto, voltando por Poço Verde até atingir a divisa, já no município de Fátima, na Bahia, onde os corpos foram largados.

O crime foi desvendado e os policiais envolvidos denunciados pelo Ministério Público.

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