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Erro médico faz mulher defecar pela vagina

DENÚNCIA | 01.05.2011 às 11:34h

Com informações do Cinform Municípios - Por Alessandra Cavalcanti

 
Clique para ampliar - (Foto: Arnon Gonçalves)

Ela é pobre, casada e mãe de quatro filhos. Se não fosse o rosto amargurado, seus 30 anos jamais denunciariam o amplo currículo de sofrimento que carrega no corpo e na alma há quase três meses, quando começou a sua mais dolorosa via crucis pelo alto sertão sergipano e pela capital, Aracaju.

No dia 9 de fevereiro deste ano, a lavradora Vera Lúcia Farias saiu de casa para fazer uma cirurgia de períneo (região que, nas mulheres, começa na parte de baixo da vulva e estende-se até o ânus) e voltou defecando pela vagina. Ela acusa um médico, que durante alguns anos atuou no hospital do município de Porto da Folha – distante 190 quilômetros de Aracaju.

“Na mesma semana em que me operei, percebi algo diferente. Mas não entendia bem o que estava acontecendo comigo. Tive febre, vomitei várias vezes e quando fui fazer a revisão da cirurgia, 15 dias depois, o médico do plantão disse que o outro médico tinha cortado o meu reto e que eu estava defecando pela vagina. Ele me aconselhou a procurar um especialista e me encaminhou para o município de Nossa Senhora da Glória”, explica Vera.

FRALDA DESCARTÁVEL

Os médicos da cidade de Nossa Senhora da Glória disseram que não poderiam resolver o problema e por isso Vera Lúcia voltou ao hospital de Porto da Folha para conversar com o diretor. “Ele me encaminhou para Aracaju, onde passei por quase todos os hospitais. Ninguém queria pegar o meu caso, afinal quem é que vai se comprometer com o erro dos outros?”, questiona Vera. Segundo ela, o Ministério Público local já tem conhecimento do caso.

Enquanto ‘pelejava’ pelos hospitais e o problema parecia estar cada vez mais distante da solução, Vera perdia peso e usava fraldas descartáveis. “Eu não conseguia andar. Não conseguia sequer levantar da cama. Minhas partes ficaram todas em carne viva e o pior de tudo era não ter data para acabar com aquela dor que somente eu sentia. Minha sorte tem sido uns medicamentos que venho tomando”, diz a lavradora, num tremendo esforço para se acomodar na cadeira da sala da sua casa. 

Durante a sua última peregrinação pela capital, buscando socorro, Vera chegou ao Hospital Universitário – HU – onde, finalmente, conseguiu marcar a cirurgia para a próxima quinta-feira, dia 28. “Será tudo particular, porque não há condições de esperar pelo Serviço Único de Saúde – SUS”, explica.

A lavradora Vera Lúcia também informa que em nenhum momento obteve medicamentos da Prefeitura de Porto da Folha. “Nem fui atrás deles, nem eles vieram atrás de mim. Comprei os remédios com o meu dinheiro e com a ajuda de amigos. Soube pelos outros que a prefeitura vai me ajudar na cirurgia e agradeço muito por isso”, diz Vera, sorrindo.

‘ERROS ACONTECEM’

O prefeito Manoel Gomes de Freitas, o Manoel de Rosinha, PT, conversou com a reportagem e garantiu que a prefeitura, durante todo este tempo, esteve buscando solução para a situação de Vera. “O médico responsável por este problema foi demitido, mas sabemos que erros acontecem. A prefeitura vai arcar com R$ 3 mil para contribuir com a cirurgia de Vera”, explica Manoel de Rosinha. A tranquilidade do prefeito diante de um problema que se arrasta há quase três meses, traz à tona o ditado que diz que pimenta nos olhos dos outros é refresco.

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